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esboço, nota futura

          O alto modernismo, e mesmo a sua transfiguração mais recente, mais hard – em termos de fundamentação teórica –, isto é, as vanguardas de 1950/60, passam por um processo muito rápido de canonização. Em outras palavras, se historicizam - se a afirmação no fosse um tanto absurda - de uma maneira bastante abrupta e surpreendente, inclusive porque, não podemos nos esquecer, os registros ou o anedotário da resistência, seja ao modernismo, seja à poesia concreta, formam uma pequena história à parte. E tal resistência, pelo alto teor arrivista assumido por suas posições e contraposições, não dava sinais de fácil assimilação e trégua.

          Toda a polêmica em torno do problema contribuiu, ao fim e ao cabo, para fazer da recusa conservadora e alarmista, aceitação incondicional. Cedendo, o senso comum ofereceu as condições necessárias para que o alto modernismo viesse a se tornar “uma das manifestações mais oficiais da cultura ocidental”. Se alguém não sabe ainda, a arquitetura da capital brasileira, por exemplo, é modernista.

          A pós-modernidade, portanto, visa a buscar algumas identidades irremediavelmente tragadas pela ruptura em abismo do modernismo e das vanguardas. E em seu movimento algo regressivo (a definição-boutade de Haroldo de Campos para o caso é a de “ecletismo retrô”), o pós-moderno chega a incorporar discursos, por assim dizer, pré-modernos a pretexto de colher no ar outras essências constituintes do perfume da tradição.

         Os patriarcas do moderno e da vanguarda, ao banalizarem e transformarem o “novo” no interpretante final, ou melhor, ao ideologizarem-no de cima para baixo e da esquerda para a direita, acabaram fazendo terra arrasada de uma série de experiências criativas. A pós-modernidade pretende, assim, vasculhar e recuperar algumas dessas experiências que restariam nas zonas de exclusão demarcadas por nossos pais fundadores. Se ela é bem sucedida ou não em suas intenções revisionistas, isso já é uma outra história.

 

_______________________________________________________________________________________

 

não tenho mais o hábito de publicar poemas aqui no poesia-pau. mas, vou deixar aqui o excerto de um poema cuja íntegra se encontra lá no poesiacoisanenhuma. diz assim:

 

em resposta a uma outra solicitação que lhe fizeram

 

a inércia

o jornalismo cultural bodhisatwa a espera de oferendas

o provincianamente tolerável

o ubíquo professor extra-muros acadêmicos

a retranca etc

tudo isso cabe na bitola metafórica

do cavalo que não se move

porque não foi chicoteado...

 

 

                 



Escrito por ronald augusto às 10h02
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