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p.s. para lugares-comuns

(lendo poemas durante o evento overdoze, montenegro, outubro)
os estímulos sobre a sensibilidade aumentam em progressão geométrica e produzem o “mal de usher” do conto de edgard a. poe, onde se descreve a mórbida agudez dos sentidos do personagem, o embotamento da percepção pelo extremo requinte. assim, ao menos como ironia, o pequeno conto de poe serve de metáfora para o nosso agora-agora poético. o altíssimo grau informacional atingido pela poesia do pós-tudo e o riscoportunidade de repetição ou de inovação que nos ronda, “otimizam” a tal ponto o nosso faro experimentado e burguês, que só conseguimos suportar, agora, a forma mais insípida de poesia e fruir textos de uma certa densidade intransitiva. não se trata de reivindicar uma “poesia melhor”. proponho apenas uma poesia não-emasculada.
Escrito por ronald augusto às 17h30
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