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excerto do ensaio "Transnegressão", 1995

poema visual de Arnaldo Xavier, 1948-2004.

 

A obra de Arnaldo Xavier, pela simples diferença em relação à produção dos seus pares, não disfarça a sua intenção metalingüística e crítica; e o mínimo que se poderia dizer sobre suas passagens, seus percursos e suas encruzas textuais, é que Arnaldo jamais repisou o terreno castroalvino e condoreiro que tem feito fortuna entre poetas mais anacrônicos e para-socialistas. O porão do navio negreiro instiga ainda a imaginação de artistas brancos e negros subinformados. Resultado: sua poesia tem sido sutilmente apartada do conhecimento mais amplo ou, melhor, o que se dá a conhecer dela, são aquelas peças que o senso comum talvez considere menos ousadas, menos ofensivas aos modelos consagrados do poeticamente correto. Mas, os exemplos de ruptura que definem seu imaginário poético minam os fundamentos do conservadorismo mensageiro. Arnaldo Xavier, pelo que se vê – literalmente – em seus poemas, se converte no poeta negro mais consciente acerca da natureza das relações entre a poesia e a política. Seus poemas parecem dizer que “a poesia deve mostrar-se incorruptível frente a qualquer poder político” e, mais, “em poesia não há circunstâncias atenuantes; a poesia que se ‘vende’, seja por vileza ou por imperícia, está condenada à morte, sem indulto possível”5. O compósito verbal transnegressão, cunhado por ele, tenta dar conta - através da justaposição dos vocábulos (transgressão + negro), ao estilo da montagem cinematográfica - de uma proposta estética interessada em lesar tanto as idéias feitas que orientam nossas filosofias de vida, quanto à imagem de um cânone totalizante, “universal”, vantajoso (para quem?) a ponto de poder ser aplicado em qualquer tempo-espaço. Arnaldo põe em causa tal fantasia imperial que não satisfaz mais a nossa errância bárbara e não-identitária, meio e fim de uma tecnologia intersemiótica e de mestiçagem cultural. Somos, a um tempo, revestidos de iconofilia e iconoclastia. Por isso, num poema de LudLud, o poeta propõe este verso paronomástico: “NegRo engole Grego”. E graças a Arnaldo, o “To be or not to be” do poeta e dramaturgo inglês - que por sua vez já foi antropofagicamente vertido por Oswald de Andrade em termos de “Tupi or not tupi” -, ganhou a seguinte tridução: “Ori or not ori”.

 

(Publicado originalmente em Presença Negra no Rio Grande do Sul, Fernando Seffner (org.), Porto Alegre: UE/ Porto Alegre, Cadernos Porto & Vírgula, n0 11, 1995)



Escrito por ronald augusto às 22h21
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dia dos pais com cervantes

(...) Acontece tener un padre un hijo feo y sin gracia alguna, y el amor que le tiene le pone una venda en los ojos para que no vea sus faltas, antes las juzga por discreciones y lindezas y las cuenta a sus amigos por agudezas y donaires. Pero yo, que, aunque parezco padre, soy padrastro de Don Quijote [ seqüência aliterativa; Cervantes faz parte daquela linhagem de escritores-críticos, designers de linguagem, que pensam o fazer poético, ou o problematizam, e a metáfora do “padrasto” parece dar conta disso, ele não abdica de uma hostilidade risonha no desenvolver da sua fatura/fratura escritural; ele nos oferece um pendor não-emocional; pode-se falar mesmo numa poética de um espírito não-facilitador; literatura sem mistificação; na dicotomia pai/padrasto o narrador põe em questão a presunção autoral e a originalidade que lhe é congenial; não sendo pai, não tem, por assim dizer, autoridade exaustiva sobre o filho-livro; a partir do seu “libre albedrío”, ou do seu desejo de linguagem, o leitor é convidado a co-laborar criticamente na construção e no desmanche dos significados da narrativa]



Escrito por ronald augusto às 18h31
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