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Internet e literatura, resposta ao Mainieri

 

          Hoje, publicar no mundo virtual, é, infinitamente, mais fácil. E aí, me parece residir a única diferença com relação ao que acontecia no passado recente, quando o livro, revistas e jornais representavam os veículos consagrados para a divulgação de obras literárias a um público mais amplo. Mesmo escritores já homenageados com a publicação de suas obras completas, têm seus sites ou blogs. A internet é um veículo, poderoso, mas ainda um veículo. A cara da literatura que aí se publica continua com os mesmos traços do tempo em que os pixels não vigoravam. Ainda temos uns oitenta, noventa por cento de porcaria lotando nossas caixas de e-mails ou flutuando nos espaços insondáveis da rede mundial de computadores.

          A seleção disso, separar o que presta, é um problema individual de repertório. E, não custa lembrar, o tempo tem a prerrogativa de dizer a última palavra. Além dos muros invisíveis da internet ocorre a mesma coisa. Os cânones são revogados, cedem o lugar a outros, e os sebos são o inferno-paraíso daqueles que curtem a grande poesia e a velha e boa prosa que não é história. Nem a política literária, nem os interesses medíocres de grupelhos de escritores subalternos resistem ao gesto radical e disruptivo do escritor divisor-de-águas ou da obra inventiva: cedo ou tarde esses experimentos entrarão na corrente sangüínea da nossa sensibilidade. O resto, bem, o resto é literatura light.

 

[o comentário acima nesceu de uma questão surgida em entrevista que concedi ao marcelo ariel que assina o blog teatrofantasma, no link a íntegra da entrevista http://teatrofantasma.blogspot.com/2007/07/entrevista-relmpago-com-ronald-augusto.html]



Escrito por ronald augusto às 09h43
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