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os velhos do velho orum
A diversidade de procedimentos de linguagem que podemos verificar no presente é equivalente àquela que acabamos por constatar também na tradição quando nos debruçamos de modo vivo sobre ela. Talvez a tradição seja até mais rica e complexa do que o próprio presente. Inclusive porque há toda uma história de leituras controversas a seu respeito. Vale dizer, as versões que o presente engendra sobre os eventos que foram, visam estabelecer um arco de sentido para o gesto aparentemente sem antes nem depois com que dimensionamos o instante precário. Nosso interesse pelo presente irredimível é destilado do passado. Nos relacionamos com a tradição a partir de angulações sincrônicas. Colhemos aquela “tradição viva”, de que falava Pound, capaz de falar ao presente ou de comentá-lo. Um processo de seleção.
Na contemporaneidade, no presente multifacetado, a necessidade de escolhas e de perspectivas crítico-valorativas, torna-se cada vez mais necessária. Tal afirmação parece bater de frente com o vale-tudo relativista em que estamos imersos. Todos os discursos devem ser considerados democraticamente. Voz e vez para todos. Eis algumas divisas ou idéias-feitas que aprendemos a apreciar, quando não a necessitar. A questão é que essa tolerância resulta na censura politicamente correta das pulsões problematizadoras e equívocas do pensamento-arte, cuja incapacidade para nos ministrar conhecimento, produzir saber ou resolver impasses de ordem psicológica ou social constituem os termos do seu cartão de visitas; seu selo de distinção.
Escrito por ronald augusto às 14h50
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