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quem tem critério?

poemacaligrama de Edgard Braga
2. A (im)pertinência comunicativa da poesia volta a fazer sentido na mesma medida em que a pós-modernidade ou um suposto "pós-tudo" instauram a nulidade de qualquer reação moral e a defesa, na esfera estética, do novo pelo novo sem conexão com o passado. Enquanto os conceitos perdem consistência e clareza, a poesia persiste naquilo que sempre foi a marca de sua originalidade transgressora, a saber, linguagem que beira o silêncio, silêncio na iminência de converter-se em linguagem desprovida de falantes. Som e pausa. Um mínimo de retórica, para um máximo de significação. O poeta, ao carregar a linguagem de significado, não objetiva outra coisa senão subverter a visão, não raro deturpada, da realidade que nos condiciona. Com esta ação simples, ordinária em se tratando de operação poética, sua tarefa já incorpora por si só, uma pulsão contestadora. Portanto, a poesia que nos interessa, a poesia em sentido forte, mina as estruturas da nossa contemporaneidade que se compraz com o vazio enquanto repousa sobre cinismo, aborrecimento e amargura imobilizante. A estetização da angústia no limiar de mais um fim-início de século. E o humor, que em semelhante contexto talvez dispusesse de um repertório mais eficiente para perturbar a reificação da mediocridade, mesmo ele, já há algum tempo deixou de ser inventivo e político; torna-se mais cínico a cada dia que passa. A charge reacionária atravessa o humor de entretenimento da classe média. Não merece, portanto, que se lhe conceda a última palavra.
confira a íntegra desse artigo aqui: http://www.revista.criterio.nom.br/debordronald001.htm
Escrito por ronald augusto às 16h05
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