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Frames da poesia contemporânea 5

Os poemas coincidem com o título do volume. Ressonâncias da poesia de e. e. cummings surgem aqui e ali. Aliás, isso fica a olho nu na estética do corte e recorte abruptos do verso, que o autor experimenta com algum êxito. Cacos (que jamais se unirão) de um provável espelho textual: “estilhaços cubistas”; uma cena urbana algo difusa; e, por fim, alguns vocábulos que o autor fratura intencionalmente interrompendo, retardando a música do verso, assim: “...a seguir as gen-/ tes...”; coragem de cor-/ ações...”; “...assombro no radia-/ dor...”, etc. Soluções um tanto virtuosísticas, dentro de uma recolha de bons poemas.



Escrito por ronald augusto às 22h20
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           Fragma menos evoca que revoga, enquanto desenha in absentia, sentidos como: permeio, incisão, inciso, separação, etc., que são, por sua vez, congeniais ao prefixo dia, aqui à primeira vista, apagado, recusado. No entanto, embora Fragma pareça lhe dar as costas, continua afetado por ele. Isto é, o signo lexical dia, atravessa-o feito ressonância indicial. Fragma, então, problematiza-se: assignatura defectiva, traços grafológicos de Cândido Rolim. Pulsão neográfica em que a dobra alusiva se projeta sobre a elisão material: o efeito do rasgo seco desmembrando o vocábulo “dia/fragma”. Sopro de prosa que trava e trova o espírito em espiras ao redor de si mesmo.

          Cândido Rolim embaralha prosa, poesia e filosofia inventando um verdadeiro magma de linguagem que se esgalha em sintagmas, fraseados atordoantes e atordoados por filosofemas reificados, nexos e anexos fono-semânticos: objeto, desejo, ato, noção. Coisas-palavras num árduo percurso onde representação e nomeação não se aferram às medidas do representado e do nomeado.

          A passagem inconclusa do poético (anomalia e radicalidade da linguagem) ao filosófico (significações prováveis desentranhadas à aporia e à aforia). Cândido Rolim quase nos franqueia o seu Fragma como um feixe de iluminações. Quase koans; aforismos analógikoanalíticos? A palavra-montagem ainda não é suficiente. Neste livro de álacre inteligência, não se lê nenhuma sorte de “ventriloquismo sutil” associado à tradição do aforismo, isto sequer é tematizado. Na verdade, Fragma é anátema lançado contra a figura do aforismo que se fecha em arabesco argumentativo, contra o enunciado lapidar ou a anedota sofista oscilando entre irônica e oracular. Cândido Rolim ajusta seu Fragma a contrapelo do dogma e do sentencioso; conforma-o contrafragmento instado a obsedar e corroer o fragmentário enquanto norma da mentalidade contemporânea.

 

 

 

 

 



Escrito por ronald augusto às 00h18
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