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En un lugar de la Mancha, de cuyo nombre no quiero acordar-me

[a recusa ao pormenor naturalista ou realista; o estatuto desse “lugar” sem nome, lugar impreciso, apenas evocado no começo da trama verbal da narrativa, nos impede de estabelecermos com ele uma relação de credulidade; e é justamente esta sua condição esfumada que desperta o nosso maior interesse, pois ele se deixa interpretar como uma sorte de cenário ou pano de fundo sugestivo e necessário sobre o qual se desenrola a aventura e as desventuras encenadas pelas figuras envolvidas no entrecho romanesco. à diferença de qualquer outra localidade ou vilarejo eventualmente citados com a intenção de conferir factualidade ou densidade existencial ao texto, a menção passageira de um lugar sem nome nas entranhas da região da Mancha, torna esse mesmo lugar, ao nossos olhos, mais hospitaleiro, sem fronteiras intransponíveis; podemos freqüentá-lo desatentos às sinalizações das suas leis; podemos fruir interativamente sua topografia de sonho; torna-se uma arena cênica em construção, um permanente acabar-começar de fronteiras e territórios semânticos],

Escrito por ronald augusto às 16h34
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Frames da poesia contemporânea 3

 Uma paisagem sem perspectiva. Opacidade de um discurso que nos remete a uma “passagem sem trânsito”. Enunciação no vazio “enquanto o quando não vem”. O poeta nos ministra a imagem de que os significados se esvaem por detrás de “faces esfumadas”. A linguagem como que se recusa a plasmar-se. É como se o poeta se pronunciasse, mas a contragosto. A “linguagem poética” não consegue dar conta de toda a “niilina” de que está embebida a visão do poeta. Não se trata de verso nem de prosa. Ou melhor, parece uma prosa cheia de fraturas. “O fosso pelo lado avesso”.

 



Escrito por ronald augusto às 17h09
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