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intramuros
Nunca, como agora, os poetas estiveram tão acomodados às regras de eficiência e competência exigidas pelo sistema literário, representação especular, mas com suas particularidades, dos imperativos sócio-econômicos abrigados sob o arco ideológico do livre mercado. E que outra razão haveria para a grande presença de poetas dentro dos muros da academia? O meio social nos cobra filiações consagradas e consagradoras. Alexei Bueno, pergunta pelos poetas engenheiros; pelos poetas
(poema de ronaldo azeredo)
médicos, e mesmo pelos poetas sem profissão; em fim, pelos poetas “à margem da margem”: onde estão eles? Isso parece coisa de um outro tempo. Uma parcela significativa dos poetas vivos, isto é, nascidos no século passado, se formam ou se formarão na academia. Mestrandos e doutorandos em Letras. Isso pode ser um problema. Não faço aqui a defesa do poeta romântico ou inspirado, o gênio monstruoso cuja originalidade sem começo nem fim, ofusca a nossa compreensão. No entanto, a poesia demanda anos de estudo vagabundo, de leitura de prazer e uma constante prática corpo a corpo com a linguagem. O poeta precisa distinguir, por exemplo, uma sextina de um soneto, identificar tanto nos traços fonológicos quanto nos grafológicos insumos estéticos. Um poeta está sempre in progress. É neste sentido que uma formação burocratizante numa atividade equívoca como a poesia, termina sendo, ao fim e ao cabo, deformante. A (de)formação acadêmica talvez seja útil apenas para ratificar a existência ou a importância do nosso “censor interno” (W. H. Auden dixit) numa situação que nos seja exigido um ato de julgamento. Jorge Luis Borges diz que “o poeta não condena nem absolve”. Mas qual a qualidade de um juízo condicionado por cânones hegemônicos, por pontos de vista superciliosos quanto à informação nova, por discursos presunçosamente totalizadores? Esses questionamentos precisam ser feitos para que a poesia e a literatura-arte (e não o “literário” do mercado livreiro) não restem tão-só a serviço do “controle institucional da interpretação”.
Escrito por ronald augusto às 19h26
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Frames da poesia contemporânea 1
Não obstante ser um bom livro falta-lhe coesão. Um conjunto de poemas esforçados. O autor tenta forjar uma coesão, mas da seguinte maneira: todos os poemas se compõem, a rigor, de duas estrofes, uma cuja extensão é variável (pode ter de 10 a 20 versos, mais ou menos), e outra “estrofe” que é um verso derradeiro isolado. É claro que isso não constitui um fio condutor, sequer uma “linha” condutora. Parece mais um formalismo sem função. Referências intertextuais. Diálogo culto com criadores de outras artes. Normalidade irritante.
Escrito por ronald augusto às 06h44
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