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o leite das crianças
Alguém já disse que a expressão “poesia formalista” é uma redundância, pois poesia é, em fim de contas, forma, mesmo. Mas o que dizer acerca dessa expressão, “poesia comercial”? Ela pode ser interpretada como uma contradição entre termos. Há poesia ruim, isto é uma coisa; um fato. Mas, se é comercial, não é poesia. E como se vai remunerar o trabalho de um poeta? Como relacionar à “eficiência de rebanho” requerida pelo modo capitalista de produção, o fracasso e o impreciso constitutivos da prática poética, que é, antes, im-produtiva, im-pertinente e não-utilitária? Portanto, a indignação de Augusto de Campos dizendo, num seu poema, que não se vende, tem algo de moralismo teatral. Faltou aprender a lição de Pessoa/Ricardo Reis que diz(em): “Cala e finge./ Mas finge sem fingimento”. A condição mesma do poema como ser de linguagem inadequado à comunicação do que quer que seja, exceto a de sua própria realidade estética, já o consagra como coisa invendável ou inviável, economicamente falando.
Escrito por ronald augusto às 15h15
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LAS NAVES DEL INFIERNO

Uma, duas estórias muito canhestras narradas num estilo “a contragosto”, pouco refratárias à interpolação, onde, em ambas, ondas de sentimentos engolfam os nativos do lugar cujo pendor oriental - dessueta safira - problematiza questões do cadinho literário. É possível e perdura, ao menos em parte, a realidade da audiência moderna.
Assim, antes de qualquer coisa, pude alcançar, isto é, entesourar uma vez, comparação verossímel entre os sioux e o povo zulu. Um farposo excurso histórico envolvendo semelhanças e contrastes.
Em 1876, guerreiros sioux aniquilaram Custer’s Seven Cavalry, Little Bighorn. Três anos depois, Forças Britânicas são varridas por zulus em Isandhlwana, África do Sul.
Em ambos os casos: a completa frustração das hostes da alta cultura, embaixadas belicosas - os “sicários sectários” - das nações normativas, belicanoras. E tome coice de bárbaros, música tribal tamborilante. Breve contrapasso em romaria iluminista; contra pêlo amarelo.
E de outra parte, um argentino par, para quem sem negros a infâmia da existência passaria muito bem, sim senhor - vale dizer, sem Sinhô -, que desentranhou de algum lugar (talvez do Hades de suma idéia alheia, mas que, um dia, ela mesma, idéia fornida, a ele par há-de foder bem) de algum lugar, antiga mitologia acerca dos nossos relativos de Benin, mais ou menos assim: para os de Benin, o Inferno repousava eno maroceano; a intervalos regulares, o mar vomitava nas praias de Benin suas naves ínferas: os Negreiros, resultado de avançada tecnologia, vindos lá do cu do mundo branco, por obra do olho-grosso do Cujoelho de Porco e da Cara de Bunda, tão virtuosa sob camadas de pó-de-arroz: salpico de confete preto numa das maçãs.
Estórias, guerreiros atravessam o tombo das ondas estilhaçando-as. Dobram-se sobre si mesmas.
Escrito por ronald augusto às 15h47
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