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inquéritos
respondendo ao escritor marcelo spalding. pronto, aí está a minha contribuição às comemorações relativas ao centenário de nascimento do poeta. viremos mais esta página sem brilho.
Você conheceu Mario Quintana pessoalmente? Guarda alguma recordação especial dele? Se sim, isso o influenciou de alguma forma para querer ser poeta?
Não. Aliás, o mais perto que cheguei de Mario Quintana, foi na oportunidade de entrega do Prêmio Apesul Revelação Literária de 1979, em solenidade num hotel luxuoso de Gramado (RS), se não me engano. Um poema meu foi escolhido como um dos destaques do mês (o concurso durava acho que um ano inteiro e premiava e destacava dúzias de poetas), e esse poema acabou entrando na antologia do concurso em que o Mario era um dos jurados. Lembro que pedi à minha mãe, que me acompanhava, para pegar um autógrafo do Quintana. Menino, fiquei com vergonha. De longe, vi quando a dona Vera se aproximou dele dizendo algumas palavras, em seguida ele tomou o livro de suas mãos e escreveu o autógrafo-dedicatória. Não tenho mais este livro. Quem me jogou de fato para a poesia foi Manuel Bandeira.
Você leu Quintana? Ou ainda hoje volta a buscar seus livros?
Li muito. Gostei muito da poesia dele, mas, há décadas, sua linguagem deixou de me interessar. Quintana é um bom poeta, no entanto carece de nervos. Tensões de linguagem. Muitos críticos e professores de letras dizem que ele foi revolucionário por ter estreado com um livro de sonetos justo no momento em que o verso livre modernista se convertia num cânone. Isto é, Quintana, de certa forma, reforça com sua escolha inicial, a tese do gaúcho como esse ser “do-contra”, que não aceita as “imposturas” vindas do centro do país. Ora, isso me parece um falso problema, primeiro porque a famosa coletânea de sonetos é, talvez, o que Mario tinha de melhor para publicar na época. E, segundo, atribuir a essa estréia tímida um tom de manifesto crítico é um exagero. Além do mais, o que se nota, a seguir, na obra de Mario Quintana é uma adesão quase que definitiva àquilo que ele, aparentemente, repudiava com seu livro inaugural.
Você considera que em sua obra tenha algum traço da obra de Quintana? Quais?
Não.
Qual a importância de Quintana para a sua geração de poetas? Que poeta, hoje, sofre a maior influência de Quintana?
Os críticos e professores de letras é que apreciariam responder a essas questões.
(ronald augusto)
Escrito por ronald augusto às 17h12
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