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Tópicos sobre emoção e poesia

 

1. No prólogo ao seu livro Elogio da Sombra, J. L. Borges diz algumas coisas acerca da relação entre poesia e emoção, vejamos: “Comum é afirmar que o verso livre não é outra coisa senão um simulacro tipográfico; penso que nessa afirmação se oculta um erro. Para além de seu ritmo, a forma tipográfica do versículo serve para anunciar ao leitor que a emoção poética, não a informação ou o raciocínio, é o que o espera”.

 

2. Vamos interpretar um pouco mais esta ficção de Borges. Antes de tudo, o escritor argentino se limita a reforçar uma visão tradicional de poesia, segundo a qual este gênero - talvez porque sua gênese seja coincidente com a da música, linguagem por definição não-representativa ou não-verbal e que está nas antípodas da racionalidade -, seria o veículo, por excelência, do inefável e da emotividade. Em Homero, por sua vez, vamos encontrar - e quase como que em abono à afirmação borgeana -, a imagem de que as dores e aflições humanas vêm à tona apenas para servir de matéria ao canto dos poetas. Nota-se, no entanto, que o poeta grego é menos sentimental do que Borges, pois para o autor da Ilíada todo o drama dos mortais não passaria de uma agitação feroz e vã, servindo tão-só de tema ou de signo à fatura do poema. O poema, assim, se converte num objeto estético, numa beleza inútil que, ao fim e ao cabo, trata de coisas que não têm sentido.

 

3. Por que razão o verso (o poema) estaria condenado a expressar a emoção (poética), não a informação ou a racionalidade? Quando Borges afirma que “a forma tipográfica do versículo serve para anunciar ao leitor [que] a emoção poética...”, podemos dizer, então, que essa emoção sentida pelo leitor (crédulo?) se produz a partir de uma convenção ou de um símbolo arbitrário, isto é, o poema, enquanto “forma tipográfica”, resulta numa espécie de sineta pavloviana condicinando o apetite do leitor para algo com o qual ele, de antemão, já sente uma necessária propensão a emocionar-se. Por fim, o leitor agradece ao poema por este não lhe ter ministrado nada além do que ele aprendera a precisar. Diante de um poema ou de sua mancha gráfica na página, e a uma distância improvável a qualquer leitura, mesmo assim, o leitor teria a garantia de sua satisfação; diria: “emoção à vista!”. Mas, um poema deveria ser uma terra de ninguém. Um lugar nunca conquistado. (ronald augusto)

obrigado, cândido rolim.



Escrito por ronald augusto às 17h42
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