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um, dois poemas de cândido rolim
anti culto
bicho sem ter mais palavra
nem com que pedir ou
vigiar
eu já esqueci
não por querer todos
os nomes
agora
quer dizer
diga seu posto dígito
sua profissão
diga
quanto vale seu
valor
(o "gago" elíptico do experimento com a língua-linguagem, os cortes bruscos que recentemente começo a achar que é bom pôr bridas, a questão "sem-versista" (décio pignatari) que também me enovela em dúvidas...enfim, este poema tem tudo o que é preciso para uma boa discussão sobre o estado atual da poesia, sua dicção. o dilema-duchamp carcomendo o poema) (acho que redistribuindo o poema, propondo outros cortes, "esmiuço" minhas dúvidas. o que você, leitor-internauta, acha? o estilo-cummings é foda. se não é possível justificar todas as soluções, que ao menos enfrentemos com leveza nossos limites. minha "crítica" está aí, no poema re-embaralhado de cândido rolim, um dos meus poetas prediletos)
Escrito por ronald augusto às 10h49
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uma canção antiga
decompor a canção
do alto ao chão
deviver sem dever
ao grande mal
o ruim diz que sim
a vertigem desdiz
vejo o olho do sol fechado
estou no silêncio
sigo meio de lado
assim sem querer
sombra do som
eu visito o lugar
mais aquém
onde não sopra ninguém
onde nem vem que não tem
indagar pelo mundo
para o bem da canção
o mal-estar
dessa flor sem buquê
o que virá?
a palavra é flor
o perfume a mentir
o avesso do lado certo
língua à flor da terra
margem do não-sentido
luz de outro azul
sombra da ação
a palavra é o lugar
sem além
onde o luar se detém
onde às vezes convém
invocar outro mundo
(laivos iluministas escorrem pelas sílabas desta letra que ficou sem música. escrevi-a para uma melodia do meu parceiro césar augusto. mas, ele achou a letra um pouco exagerada. ele queria algo mais precipitado, ao rés do chão. de vez em quando concordo com o amigo)
Escrito por ronald augusto às 17h30
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