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leituras de beira-praia
a juventude não é a melhor estação para a leitura de nietzsche. o turbilhão desarraigador que ele introduz em seus signos filosóficos, seu tranco enérgico, não-emasculado, no amplexo idealista, seu Sim (sim, com maiúscula!) à vida, sua vontade de desapoderar os grandes decadendes --sócrates, jesus, voltaire, etc.--, sua intransigente vontade bélica em despojar a esta mesma humanimaldade do seu pathos (refratário à onda da incerteza), lançando os valores que ela aprendeu a venerar na mais abjeta vala comum, enfim, tudo isso e muito mais a propósito do seu espírito colossal, que aqui não haveria como esmiuçar ou resumir, desaba sobre a "alma" dos mancebos com o efeito de uma fulminante overdose. nietzsche faria as vezes de uma droga pesada. um jovem versado em nietzsche, trajado à nietzsche, é um perfeito idiota sem qualidades. a filosofia-ilíada de nietzsche arranca a espada à coxa e abate chusmas de heróis. aos quarenta e quatro anos da minha idade, ainda consigo apreciar os tons lisérgicos do filósofo não-alemão: undeutsch.
Escrito por ronald augusto às 10h33
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