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20 de novembro

FEIXE DE TRAÇOS     


      1 para verificar se o canal funciona

negro algum está intimado
a atender ao chamado
ao convite traiçoeiro: moreno

p. ex. alguém lhe quer o cigarro
dizendo
              moreno me faça o favor

dedos em v junto à boca

      2 indo da intriga à atmosfera

numa situação dessas não
finja nunca que não é consigo
arrumando a calça no cinto
comece por negar-lhe o vício

(e o hábito de irmandade no qual
está ele inscrito para apontar
e dissolver-se) o ministério
da saúde adverte etc

depois vá para a idéia do cabeçudo
no mínimo pessoa esclarecida nívea
que sempre chega nestes termos
pisando em ovos brancos

melando tudo para não ofender

      3 a diferença de tamanho das silhuetas

e sendo de sua livre escolha
você pode dizer ainda (é escuro)
que diante dele não há menor sinal
de moreno mas isto sim

de negro em convincente pêlo também
parente de morenos
mas que não almeja passar por moreno
porque não acredita como ele

(que demandou o cigarro
por uma sorte de escarro
) como ele que a divisa negro
envolva a sensaboria de palavrão

ou pecha só ganhando novo verniz
salvaguarda eufêmica (negro>moreno)
quando por conveniência dentro
da mais estrita necessidade

(necedade) se faz urgente
o comércio lambe-
lambe a mesura usurária
entre estranhos

      4 prolongamento enfático

não faça como certa vez

um poeta francês
dizendo fumar apenas
para pôr um tanto de fumaça

entre ele e o mundo

(poema do Confissões Aplicadas)



Escrito por ronald augusto às 16h11
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cânone(s)

A quase mítica história da Biblioteca de Alexandria se presta muito bem como metáfora ou alegoria às condições de existência de um cânone incondicional no interior da modernidade multifária. Senão, vejamos. Alguns caracteres-atributos, tais como: o centralismo, a reputação de guardar livros capazes de conceder poderes ilimitados ao seu portador, a pretensão de ser o depositário de um tesouro universal, etc., descrevem sumariamente tanto a Biblioteca quanto o cânone pavimentado pela intenção dogmática.
 
Ao longo da sua existência, a Biblioteca de Alexandria sofreu sucessivas pilhagens. Em outras palavras, nenhum cânone é inexpugnável. Leituras irreverentes o tornam suscetível a acréscimos e expurgos, isto é, poroso à escolhas que se reportam necessariamente a um trecho histórico determinado: intervenções crítico-valorativas de ordem sincrônica. O cânone não é mais aquele.
 
E chega o dia em que a Biblioteca dos sonhos e pesadelos borgeanos é devastada pelos árabes, considerados os conquistadores bárbaros àquela altura. A divisa revisionista deles: "não há necessidade de outros livros, senão d'O Livro, vale dizer, o Alcorão. O cânone substituto, mas que "ainda tem alguma coisa que ver com aquilo que pretende substituir" (Hannah Arendt).
 
Um cânone totalizante, universal, vantajoso (para quem?) a ponto de poder ser aplicado em qualquer tempo-espaço, é uma fantasia imperial que não satisfaz mais à nossa errância bárbara e não-identitária, meio e fim de uma tecnologia intersemiótica e de mestiçagem cultural. Somos revestidos, a um tempo, de iconofilia e iconoclastia.
 
Portanto, me parece que um destino análogo ao da mítica Biblioteca está reservado a todo cânone assentado sobre presunções messiânicas.  (ronald augusto)
 
 


Escrito por ronald augusto às 11h34
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