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uma caligrafia do imaginário

fragmentos de  uma caligrafia do imaginário  de  alexandre brito

 

se reproduz segundo um código cifrado

em que se representam as idéias mediante caracteres simbólicos 

metáforas consecutivas consideradas organicamente

nas constelações e galáxias a que pertencem

sem auxílio de referências outras que não elas mesmas

(...) 

uma escritura em ruptura

que avança do familiar ao desconhecimento

lavrada no livro secreto das dúvidas

que, desprovida de qualquer relevância imediata

e sem aparente significado especial

apenas e tão somente articula substâncias essenciais

(...)  matéria verbo-icônica

potencialmente transgressiva

 

virtualmente incapaz de ser definida

(...)

propaga-se (linguisticamente) quer por intangível que seja

quer por outro qualquer motivo

para além dos mapas tábuas e noções

(...)

sinto muito pelos cinco sentidos

não sentem o que eu sinto

os dois pés na cabeça de um fermento

encalacrado fora da zona de segurança

quando cada pormenor sem valor é crucial

e percorre o mesmo sol insólito dos hieróglifos

e, diferentemente do que se enuncia

a complexidade das coisas não requer preâmbulo

deriva de faíscas a deriva em largos lagos de logos e imensidades

 

uma poética das arestas é o que resta

protuberância viva no desmesuradamente plano

a parte visível do infinitamente dentro

o quinto lado do triângulo  



Escrito por ronald augusto às 15h22
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uma caligrafia do imaginário 2

 
alexandre brito "alheio ao próprio sentido"
 
num poema intitulado "nova-poética", manuel bandeira lançou a teoria do poeta sórdido: "aquele em cuja poesia há a marca suja da vida" (1949). augusto de campos, por sua vez, publica em 1953 o poetamenos, volume-vírus de distúrbio afásico inoculado na corrente sangüínea da linguagem poética do período, caracterizada por uma certa opulência discursiva e um preciosismo lexical. herança duvidosa dos poetas filosofantes de 45. de outra parte, alguns princípios estéticos do alto modernismo caíam em descrétido ou se diluíam em lirismo de compadrio.
 
assim, como prólogo à poesia do grupo noigandres, o livro de augusto, o vietcong concreto por excelência, carrega em seu bojo uma estética da recusa e a visão de que a poesia deveria se constituir em "essências e medulas". o poetamenos ministraria o mínimo indispensável do poeticamente correto ao leitor. na verdade, o poetamenos convida o leitor ao exercício da co-autoria de um texto lacunar.
 
muito bem. agora chegou a minha vez de levantar uma teoria, a do poetamais. alexandre brito é convocado a vestir a camisa, jogar um jogo cujas regras não são pétreas. o poetamais que identifico em alexandre brito começa a aparecer já em alguns poemas do seu o fundo do ar e outros poemas (ed. ame o poema, 2004), mas ganha em radicalidade nos poemas mais recentes, ainda inéditos, que tive a oportunidade de ler. poemas perturbados por uma discursividade desviante e desafiadora. a poesia+ de alexandre brito não investe, portanto, numa "retomada" do texto discursivo, como tentativa de solucionar a nostalgia do conteúdo. não canta o retorno a uma "poesia que tem algo a dizer"; não. sua experiência com a dicção discursiva se dá pelo lado da metalinguagem. brito afivela o discursivo como máscara, isto é, fala "através de". constrói seu texto paralelamente à tradição do poema longo. estabelece contrastes, pontos de apoio e de fuga. olha os limites e as chances dessa algaravia com olhos livres ou desde um ponto de vista que simpatiza com os siginificados esquivos sugeridos pelo jogo de equivocábulos.
 
à diferença do texto da opulência verbal, rio na cheia, que caminha num crescendo até o desaguadouro da emoção do leitor, o poetamais alexandre brito, propõe um tom discursivo não-cumulativo, não-seqüêncial. por sua qualidade mais sincrônica do que diacrônica, no que respeita ao arranjo do vocabulário e da sintaxe, estes poemas desmesurados são menos verberações do que transverberações. brito rasga transversalmente e ironicamente o tecido do poema verboso consagrado pelo uso ou pelo cansaço.
 
graças à mobilidade fugidia dos seus signos, esta transverberação do poetamais, salta do folha branca e incorpora o gosto e o gozo da fala quase-canto, e estabelece uma forma de linguagem onde os sentidos afloram de chofre,
para, logo a seguir, serem revogados sem angústia, talvez, por amor à música ou ao silêncio.
 
a festa vertiginosa de som e sentido que alexandre brito, como poetamais, nos oferece, vai ao encontro da teoria do poeta sórdido,de manuel bandeira. mas o que surtirá dessa convergência? parafraseando o poeta pernambucano: poetamais é aquele em cuja poesia há a rasura suja (luxo/lixo?) da linguagem que se define a partir da dissipação dos seus próprios signos. arte que "existe pra nada", como propõe alexandre brito com desassombro. (ronald augusto)
 
 
 


Escrito por ronald augusto às 14h21
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versões para um poem

samuel beckett (1906-1989)
 
écoute-les               
s'ajouter
les mots
aux mots
sans mot
les pas
aux pas
un à
un
_______________________
 
escuta
os sons
com sons
sem sons
se agrupam
passos
com passos
um a
um
 
(trad. luis roberto benati)
 
_______________________
 
ouça-os
juntar
as palavras
às palavras
sem palavra
os passos
aos passos
um a
um
 
(trad. ceila c. l. ribeiro)
 
_________________________
 
atenção el
es anexam
os sentidos
aos sentidos
sem sentido
passos so
bre passos
um a
um
 
(di-versão, ronald augusto)
 
______________________________
 
extravagância tradutória. uma versão um pouco fora da medida. a angulação é intertextual, metalingüística. o "el/es" pode referir-se tanto às pessoas dos tradutores que me precederam, quanto aos produtos dos seus esforços interpretativos, ou seja, os poemas-soluções que desenham um confronto de concepções diferentes acerca de um mesmo texto. camadas, justaposições de leituras. tradução como palimpsesto. em homenagem ao leitor que recorre e não teme retardar o passo. sente e pensa o dobro de vezes. o oposto dos fast thinkers.


Escrito por ronald augusto às 14h23
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estrupícios & poetas

Uma coisa é o sujeito escrever e alardear a própria produção tendo em vista a conquista de uma posição de influência dentro do sistema literário, ou o reconhecimento oficial acompanhado das benesses de praxe, usando para tais fins os meios lícitos e ilícitos disponíveis. Outra coisa é esse mesmo(?) sujeito construir um projeto poético, por assim dizer, desinteressado considerando o conjunto da literatura como uma rosácea intertextual, cujos insumos energéticos que acionam seu movimento se produzem a partir da fricção entre as mais antagônicas linguagens. Uma assembléia movida a dissenso. Cânones e rupturas, transgressões e ecletismo retrô. Um processo sincrônico onde convivem de maneira intransigente, mas sem que se anulem mutuamente, os jovens entrantes, os adultos maduros e até alguns moribundos que não percebem o adiantado da hora.

Escrito por ronald augusto às 09h57
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