o design poético do soneto
Poema lírico de forma fixa surgido no final da Idade Média, composto de 14 versos: dois quartetos e dois tercetos (concepção italiana) ou três quartetos e um dístico (concepção inglesa) é, para o bem ou para o mal, a composição poética mais praticada de todos os tempos. Qualquer poeta, desde o maior até o menor dos menores, já enfrentou, em alguma ocasião ou de forma sistemática, o desafio de materializá-lo na folha branca do papel.
Do surgimento até agora, sua forma, seus esquemas métricos e rímicos continuam quase os mesmos. No entanto, o que muda, e mudará sempre, é o tom e a sintaxe. Por outro lado, não se deve perder de vista as conflitantes perspectivas de valor que discutem sua eficácia estética dentro de um processo histórico-estilístico marcado às vezes pelo resgate, outras vezes pela ruptura com os modelos consagrados.
Verdadeiro emblema verbal aparentemente transtemporal, o soneto é uma estrutura significante e portadora de signos auto-referenciais. Mas, através de sua trama textual também é possível falar ao nosso presente multifacetado. Seu design de linguagem permanece eficiente.
Um exemplar da poeta mexicana do período barroco Sor Juana Inés de la Cruz (1648-1695)
Procura desmentir los elogios que a un retrato de la Poetisa inscribió la verdad, que llama pasión.
Este, que ves, engaño colorido, que del arte ostentando los primores, con falsos silogismos de colores es cauteloso engaño del sentido;
éste, en quien la lisonja ha pretendido excusar de los años los horrores, y venciendo del tiempo los rigores, triunfar de la vejez y del olvido,
es un vano artificio del cuidado, es una flor al viento delicada, es un resguardo inútil para el hado;
es una necia diligencia errada, es un afán caduco y, bien mirado, es cadáver, es polvo, es sombra, es nada.
Escrito por ronald augusto às 13h35
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como deveria aparecer
OGUM, 2004
o assentamento do quatro ogum justiceiro encarnado as armas de mercúrio nariz de abas brabas os tacões alados de hermes a espada e a palavra armas de jorge wordswordswords swords parolagem brasa assoprada sem coração verba algum para ogum
despojos de guerra banquete após uma expedição de conquista ogum sentado firmeforte no quatro se sua cadeira vermelha aquele estrago
ogum bebum gira dedibrônzeo o compasso na ponta de um quatro entrada de sola que talha sempre dentro do esquadro aparta-nos ogum de retrato e de sol quadrado
ogum brugurundum nos quatro costados de qualquer besta quadrada à espádua do iracundo não chegam os retardatários dardos da inveja
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este poema foi incluído no primeiro número da revista de literatura
da fundação palmares, recentemente lançada. no entanto o poema foi publicado
com erros: o "2004" do título foi limado sem minha autorização e sua
diagramação alterada, "centralizaram" tudo. um poema é produto de um design
de linguagem. tudo nele é pensado no sentido de uma coincidência entre forma e conteúdo.
se algo deve ser modificado, a última palavra será do autor. editores e diagramadores
são um problema sério.
Escrito por ronald augusto às 10h58
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