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rente ao tempo que evapora
desconfio dessa visada um tanto "arqueológica", arca perdida, que pretende desencavar o fragmento, restaurar por todos os meios (lícitos ou ilícitos) o traço, o espírito de uma experiência remota que, embora não possa abdicar de sua historicidade, é sempre, no final das contas, um gesto fora do lugar, um desvio, algo que não aponta senão para si mesmo. uma coisa que coiseia.
Escrito por ronald augusto às 17h05
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um volume entre outros
as chaves léxicas apresentadas pelos autores ao trobar clus dos seus próprios textos são irrelevantes, isto é, são tão "importantes" quanto as de qualquer leitor-fruidor. o leitor não precisa transformar-se no autor para penetrar na máquina do poema. a liberdade da linguagem que define a "signagem" (décio pignatari) do poema, supõe a liberdade de interpretação. o leitor é o desautor. por isso, pode-se pôr em questão a concepção do "leitor fiel". como invocar a fidelidade a um tipo de discurso sempre cambiante e no mais das vezes afásico. linguagem de alguns instantes que nos permite apenas a captação desfocada de sentidos prováveis, os defectivos "conteúdos inessenciais" denunciados por benjamin. a tresleitura está implicada na leitura pretensamente correta. como na tradução, leitura é interpretação (sentido musical), portanto, ainda presta o velho adágio: tradutore tardittore. hipócrita leitor, nosso colaborador e coborrador.
Escrito por ronald augusto às 16h58
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