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práctica de nadie
tierra prometida qué representa una idea que se presta?
el universo cobija un centro en cualquier parte de sus zozobras
no me sugiere agua potable ni aquélla guardada detrás del biombo en vasija de barro para después
pienso quién sabe si fuese un pozo a medio llenar de algún agua moribunda
(Traducción de Ines Hagemeyer en base al original y a las traducciones recibidas de Ronald Augusto y de Blanca Morales)
Escrito por ronald augusto às 11h39
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em época de moralismo reativo...
Para comemorar os vinte anos da poesia concreta, Augusto de Campos se deu ao trabalho de selecionar e recolher na revista Corpo Estranho nº.2, 1976, uma série de depoimentos e de juízos pseudo-críticos que, então dispersos pelo desnutrido jornalismo cultural da época, se constituíram assim enfeixados, num autêntico tolicionário engendrado pelo establishment, que visava, por esse meio, sufocar a insurreição concreta e seus desdobramentos.
O achismo e o chute - traços marcantes desse belicoso tolicionário - sublinham, como que num reflexo condicionado, a recepção do "bom senso" com relação a informação nova. "A poesia concreta pode ser colocada no mesmo plano da Bomba de Hiroshima". Nelly Novaes Coelho, Diário de São Paulo, 4 de setembro de 1.974. Dentre manchetes, frases de efeito francamente malcriadas e resenhas tomadas por pânico catastrófico, como o fragmento citado acima, destaco - entre tantas outras pérolas - mais uma tirada de brilho especialmente melancólico, imaginada por Affonso Romano de Sant'Anna. Ei-la: "...a poesia concretista emparedou toda uma geração a partir de 1.956". Registre-se, isso foi escrito em 1.976. Logo, não me parece um absurdo interpretar este diagnóstico da seguinte maneira. O crítico parece reforçar - mirando de soslaio - a tese maledicente, sustentada por uns e outros, segundo a qual a poesia concreta colaborava indiretamente com o regime militar. Não foi por outra razão, aliás, que Autran Dourado achou por bem definir a prodigiosa militância concretista, no sentido de abrir/conquistar espaço - no âmbito de editoras, jornais e revistas -, e de modo a dar mais visibilidade às suas idéias, em termos de que esse exercício assumia a forma de um "poder quase ditatorial". E insistia o crítico, "eles movimentam-se para todo lado", Visão, 10 de novembro de 1.978. A essa geração amordaçada, digo, emparedada, não restava então outra escolha senão vingar-se, cuspindo sobre os déspotas esclarecidos do concretismo, slogans como alienação, formalismo, castração. De outra parte, a Exuberância Latina, o Lirismo Funcionário Público e o Nacionalismo Esquerdofrênico compunham o ideário da impotente geração.
Escrito por ronald augusto às 11h06
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vá ler um livro que preste!
Em 1920, Ezra Pound publica na Inglaterra o poema “Hugh Selwyn Mauberley” (Life and Contacts), Augusto de Campos define Mauberley como “uma ‘persona’ do artista moderno, fraturado entre o esteticismo ‘fin de siècle’ e o ‘cinema em prosa’ do século XX. Uma espécie de Sthephen Dedalus poundiano”. Com efeito, H. S. Mauberley se constitui num poderoso emblema, cuja força centrípeta enfeixa os biografemas do seu próprio criador. Pelas frinchas dessa máscara escoa como que uma melodia contrapontística. O poeta fala, a um só tempo, “através de” e por si mesmo.
Escrito por ronald augusto às 16h04
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numa estação do metrô
The apparition of these faces in th crowd:
petels on a wet, black bough.
(Ezra Pound)
numa outra estação
a aparição dessas faces em meio a turba:
pétalas num esgalho úmido, escuro
Escrito por ronald augusto às 17h41
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novo livro no prelo - fragma
Cândido Rolim embaralha prosa, poesia e filosofia inventando um verdadeiro magma de linguagem que se esgalha em sintagmas, fraseados atordoantes e atordoados por filosofemas reificados, nexos e anexos fono-semânticos: objeto, desejo, ato, noção. Coisas-palavras num árduo percurso onde representação e nomeação não se aferram às medidas do representado e do nomeado.
Escrito por ronald augusto às 15h06
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poesia & política - a quatro mãos
(cândido rolim e ronald augusto)
Os propósitos do projeto poético surgem à primeira vista incompatíveis com a reificação de um estado organizado, em que se baseiam quase todos os projetos políticos tradicionais. Enquanto isso, engajada ou não, o que irá pesar para a poesia é uma certa resolução final, mesmo considerando que o poema se define historicamente. Quanto às determinações sócio-políticas no poema, não é que não importem. Digamos, para todos os efeitos, que elas são secundárias, mas não irrelevantes.
Apesar das inúmeras diferenças e incompatibilidades, convém admitir que ambas – poesia e política - não são estanques, nem mutuamente impermeáveis. Quer dizer: a experiência estética pode e com freqüência se relaciona com um projeto político e vice-versa, afinal o fato estético termina por adquirir conotação política mesmo que o agente não o pretenda. Tanto é verdade que a política inúmeras vezes já se apropriou dos enunciados poéticos ou de certos modelos consagrados de poesia. Assim como o poeta também não está livre de encalhar na gosma cívica do Estado e incorporar sua figura ao acervo público reverenciável. No entanto, que projeto político se permitira o silêncio, a inutilidade, a inoperância pública, a reiterada crítica “improdutiva” que a arte emprega a seus próprios meios, à sua própria linguagem?
Escrito por ronald augusto às 14h55
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